Ácido muriático, que causou intoxicação em dona de casa de MG ao ser misturado com água sanitária, danifica mármore
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Mulher sofre intoxicação após misturar ácido e água sanitária para limpar a casa em Itaúna
Corpo de Bombeiros/Divulgação
O ácido muriático, envolvido na intoxicação de uma dona de casa em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, após ser misturado com água sanitária, é uma substância altamente corrosiva, capaz de danificar materiais como concreto, mármore e metais, além de liberar gases tóxicos quando combinado com outros produtos de limpeza.
Segundo o professor do Departamento de Ciências Naturais da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Paulo Henrique Tavares, o ácido muriático é o nome comercial dado à solução aquosa de ácido clorídrico.
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Nos produtos destinados ao consumidor, a concentração de ácido muriático varia entre 10% e 15%. Já nas aplicações industriais, pode ultrapassar 30%.
De acordo com o professor, o produto é utilizado em limpezas pesadas. No entanto, se for manuseado de forma inadequada, representa riscos à saúde.
“É um produto altamente corrosivo, uma espécie de ‘lixa química’, capaz de remover cimento, ferrugem e incrustações que a limpeza comum não remove”, afirma Paulo Henrique.
O ácido muriático pode danificar diversos materiais presentes no dia a dia, especialmente:
Ferro;
Aço;
Alumínio;
Zinco;
Cobre;
Rejuntes cimentícios;
Concreto;
Mármore;
Granito polido;
Pinturas automotivas.
Mistura com outros produtos é perigosa
O maior risco, porém, está na mistura do ácido muriático com outros produtos de limpeza. Quando combinado com hipoclorito de sódio, conhecido como água sanitária, o produto libera gás cloro.
“É um gás extremamente tóxico, semelhante ao agente químico usado na Primeira Guerra Mundial”, disse Paulo Henrique.
Conforme o especialista, a exposição ao ácido muriático e aos gases gerados pela mistura com outros produtos químicos pode provocar os seguintes efeitos:
Irritação intensa nos olhos, na pele e nas vias respiratórias;
Tosse;
Falta de ar;
Queimaduras químicas;
Lesões pulmonares.
Em concentrações elevadas, a inalação pode ser fatal.
O professor reforçou que não existe nível seguro para misturar esses produtos em ambientes domésticos.
Segundo Paulo Henrique, quem tiver contato com ácido muriático deve adotar as seguintes medidas de segurança e primeiros socorros:
Nunca misturar produtos químicos;
Ler os rótulos e seguir as instruções;
Usar luvas resistentes, óculos de proteção e manter o ambiente bem ventilado;
Em caso de inalação, levar a pessoa para local arejado, evitar esforço físico e procurar socorro médico imediatamente;
Em contato com olhos ou pele, enxaguar abundantemente com água e buscar atendimento;
Descartar as sobras conforme as instruções do rótulo ou com serviço especializado;
Não despejar diretamente no esgoto sem orientação.
De acordo com as normas brasileiras de rotulagem, as embalagens devem apresentar advertências e instruções de segurança para o uso do produto.
Para limpezas domésticas, o professor da UEMG recomenda o uso de alternativas menos agressivas ou de produtos específicos para cada finalidade, que já são comercializados com instruções de uso e dosagens seguras.
“A recomendação é simples: não misture. E, ao menor sinal de mal-estar, procure atendimento”, concluiu o professor.
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Uma mulher, de idade não divulgada, foi internada com sinais de intoxicação após misturar ácido muriático e água sanitária durante a limpeza da casa. O caso foi registrado na sexta-feira (5), em Itaúna.
Após receber os primeiros atendimentos do Corpo de Bombeiros, ela foi encaminhada para a sala vermelha do Hospital Manoel Gonçalves. O estado de saúde não foi divulgado.
Segundo os bombeiros, no momento do resgate, a vítima estava na área externa da residência, consciente, mas confusa e respondia a poucos estímulos.
No imóvel, os militares encontraram grande quantidade de produto químico espalhado pelo piso e sentiram um forte odor da substância.
No local, também foram encontrados dois frascos vazios de ácido muriático e um galão de água sanitária.
Para dispersar o gás e reduzir o odor no ambiente, os bombeiros utilizaram um ventilador. Em seguida, realizaram a descontaminação do imóvel e orientaram os moradores a deixarem o local por 24 horas.
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